Não. Esse texto não é sobre o famoso discurso do ícone Martin Luther King. É só um relato de um sonho singelo. Aleatório. O que me fez estar aqui agora foi o fato de que, apesar da simplicidade dessa espécie de "nirvana" que atingimos durante as nossas horas de sono, eu acordei me sentindo tão bem, aparentemente sem nenhum motivo, já que foi um simples sonho. Uma outra coisa que me chamou atenção depois de acordar foi que eu não me lembro qual foi meu último sonho. Agora eu vejo que não são todos os dias que eu levanto da cama e sei o que sonhei durante o "sonífero nirvana". A grande intriga é: por que isso acontece? Agora eu entendo o entusiasmo de Sigmund Freud em relação aos sonhos. Me pego agora fascinado com tudo isso. Quanto a minha pergunta anterior, sei que há profissionais que podem me explicar (ou ao menos tentar) o motivo, mas eu prefiro não saber. Talvez o ar da graça seja até esse mistério (acabo de me esbofetar na cara com esse niilismo).
O Sonho.
Não consigo visualizar em minha memória uma continuidade. Em um momento, livre de qualquer regra da física sobre tempo-espaço, eu me encontro num local bem urbano. Me parece um estacionamento de shopping. Na verdade eu tenho quase certeza que é. Um shopping pequeno. Eu não sei como cheguei nem porque estou ali (talvez seja por isso que pessoas que sofrem amnésia têm a impressão que estão sonhando quando voltam a consciência) mas pelo jeito que me visto eu estava ali para correr. Trajando meu tênis para corrida, uma bermuda (apesar de que eu corro de calça esportiva) e camiseta. No sonho (e agora também) eu acho que cheguei de carro, apesar de ainda não ter terminado a auto-escola, me parece que eu estava dirigindo. E daí quando eu me afasto para iniciar minha corrida eu avista uma pessoa conhecida. Na verdade uma pessoa muito próxima que eu conversava ontem. Essa pessoa estava acompanhada de seu pai e mais algumas pessoa das quais eu não consigo visualizar os rostos. O que me vem a cabeça ao passar dessa cena (durante e após o sonho) é: "Oxe, o que é que essa pessoa está fazendo aqui?!". Pareceu que alguém chegou e selecionou a opção "aleatório" no meu sub-consciente.
Pouco depois, eu comecei a correr. Pelo que eu vejo agora, eu saí logo porque me senti incomodado com a presença daquela pessoa, só não sei o motivo. Acho também que eu não queria ser visto. Então eu corri. Devo comentar que eles também usava roupa de corrida e isso está me deixando mais intrigado ainda com a loucura desse meu sonho. Inevitavelmente durante a corrida eu acabei cruzando de frente com esse pessoal. As memórias vão sendo apagadas nessa hora. Só lembro que ignorei e fui ignorado nos primeiros instantes, não sabendo o que aconteceu no período de tempo, quase metafísico. Ah! Um ponto importante, esse não é daqueles sonhos em terceira pessoa (quando você visualizar o personagem da cabeça aos pés), mas em primeira e terceira também. Horas tinha a visão através dos meus próprios olhos, horas me via fora de mim. Numa sequência de cenas que parecia até cinematográfica.
Eu continuava correndo. Essa foi a continuação. Mas em um lugar diferente. Um local mais residencial. com pouquíssimas pessoas transitando nas ruas e nenhum automóvel. E quando eu viro numa certa rua eu me deparo com uma piscina! Avistei uma mulher na calçada cuidando de animais que só encontramos na África, eram pequenos elefantes. É, se eu não soubesse que todo mundo tem sonhos loucos sentiria vergonha de contar tudo isso... Ou não. Eles eram tipos de elefantes anões, eu deduzi agora, já que tinha o um casal adulto que media acho que uns 2 m de altura e não eram tão corpudos. Os filhotes batiam pouco acima do meu umbigo. Eram dois. Eu estava assustado. Medo dos pais na intenção de zelar pela cria me atacarem. O coração disparou mais rápido do que já estava na corrida. Os 4 me olharam e a mulher também. Ela sorria. E eu me senti um pouco mais aliviado. Fui ignorado pelos 4 elefantes-anões (tenho que parar de fumar maconha). Os filhotes entraram na piscina sob vigia dos pais. Conversei algo rápido com a mulher e nem me lembro o que foi. Aí, corri e entrei na piscina. Os filhotes se aproximaram e brincaram comigo, quando eu reparei que havia mais alguém ali. Um garotinho. Conversei com ele também, coisas que meninos pequenos gostam de conversar. A última coisa que me lembro é o sorriso dele.
Agora eu estou numa casa grande e antiga, mas em ótimo estado. Sem saber de quem era a casa, como cheguei e o que estava fazendo ali, eu não sei se cheguei a sonhar se estive dentro da casa, porque nesse momento eu estou debruçado numa varanda circular e pequena com uma cerquinha de ferro pintada de preto no andar mais alto. Só caberia ali ,confortavelmente, um casal apaixonado ou um solteiro pensativo como eu, para contemplar um magistral e único fim de tarde ideal que acontecia naquele momento. Uma árvore frondosa e anciã ocupava um grande jardim no fundo da casa (era a parte da casa onde ficavam essas varandas). Eu estava no 2º andar contemplando aquilo tudo em paz de espírito, quando alguém apareceu na varanda abaixo que ficava um pouco mais ao lado. Era uma garota. Nunca a tinha visto e provavelmente não sei se verei. Era uma garota linda como eu nunca tinha visto. Vestia um grande vestido negro daqueles antigos de novelas de época. Sorria e me olhava. Apesar de meu olhar de indiferença no momento, parecia que eu a conhecia, não sei se como amigos, família ou algo mais íntimo. Mas ela também me conhecia bem, já que meu olhar pouco expressivo e sério não tirou o sorriso do seu rosto. Perto das varandas havia galhos da árvore anciã. Então eu me estiquei e comecei a colher alguns frutos, os quais eu nunca vi na minha vida. Eram grandes e os mais maduros eram bem amarelados. Eu colhia e jogava para a garota do andar de baixo. Enquanto conversávamos e riamos. Uma conversa muda, já que eu não lembro de nada.
Agora eu estava saindo da casa para o jardim dos fundos. Defrontei aquela linda e frondosa árvore anciã. As folhas caindo marrons contrastavam com o verde rico da grama e das folhas das trepadeiras que dominaram os muros ao redor. O sol estava fraco e se escondia atrás das nuvens, gerando uma iluminação um pouco baixa mas que me trazia uma sensação de paz enorme. Ali eu tinha achado a perfeição...
Era perfeito de mais. Foi aí que eu despertei. Um despertar sereno e feliz.
Depois desse sonho eu sinto que tenho muito ainda o que viver. Quero ter novamente aquela sensação momentânea de felicidade mútua mesclada a perfeição da natureza. Esse é o motor que me move agora. A busca da felicidade. Seria ótimo se quando morrêssemos fossemos parar em nossos sonhos mais bonitos. Muita gente iria querer morrer logo em busca de tal coisa. Mas, talvez seja por isso que ninguém volta do lado de lá pra relatar o que acontece quando voltamos para mãe-terra. Esse vai ser meu motivo agora de seguir adiante, encontrar novamente aquele sentimento. Vou viver.


